Concursos, Momento desabafo, Recursos, Vou ser colega do prof. Renato Lacerda no MPU

Carta aberta ao CEBRASPE quanto aos recursos do concurso de técnico do MPU

Venho por meio desta carta aberta contestar a postura da douta banca, o Centro  Brasileiro  de  Pesquisa  em  Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), em relação aos recursos interpostos em razão das questões de Administração constantes do 10º Concurso do Ministério Público da União para o provimento de vagas e formação de cadastro de reserva para os cargos de Analista e Técnico.

 

Cumpre destacar que sou bacharel em Administração, pós-graduado em Gestão Pública, Analista de Gestão Pública do Ministério Público da União desde 2014, bem como servidor público desde 2004. Além disso, sou professor em cursos preparatórios para concursos, presencial e a distância, com amplo conhecimento teórico e prático na área de Administração, Gestão de Pessoas e Gestão Pública, conduzindo palestras, workshops e projetos estratégicos no âmbito do MPU e do CNMP, a exemplo da implantação nacional da Gestão por Competências do MPT.

 

As questões abordadas na prova apresentam inconsistências com a literatura correlata e com diversos conhecimentos consolidados, seja pela teoria, seja pela prática administrativa. Desse modo, como de costume faço, elaborei recursos para que os alunos interpusessem, convicto da justeza do pleito e dos argumentos fortemente amparados em referencias bibliográficos consagrados pela doutrina. Ainda assim, sem maiores justificativas, os gabaritos foram mantidos, com flagrantes incoerências com as correntes teóricas clássicas e mesmo com questões aplicadas pela banca em diferentes certames.

 

Enquanto profissional da área, vocês colocam em descrédito meu trabalho. Ainda que vocês tenham validado uma posição equivocada, não posso justificar tais respostas, uma vez que elas vão de encontro com tudo o que se tem em termos de referenciais teóricos e com a prática administrativa. Além de gabaritos equivocados, a banca abre margem para interpretações diversas em uma única questão, que deveria primar pela objetividade para que se mensurem os conhecimentos dos candidatos. Em sala de aula, em hipótese alguma poderei deixar de adotar o conteúdo daquilo que está nos livros da área, nem o que aprendi em meus anos de faculdade e especialização, tampouco o que se aplica à realidade da Administração Pública, ainda que tais posições sejam dadas como corretas pela banca, a menos que haja justificativa respaldada para tanto, o que deverá ser devidamente apontado em livros, teses, manuais ou entendimento majoritários.

 

Se de minha posição, a não revisão da banca põe em cheque meu trabalho, da posição do candidato, gera incertezas, insegurança e descrença no processo de julgamento objetivo dos itens cobrados, uma vez que uma das bases para o aprendizado é a reanálise de questões passadas abordadas pela banca, em que há flagrantes casos de contradição de posições, as quais poderia apontar em um sem número de ocorrências. Há muito tempo tenho me incomodado com gabaritos equivocados que se mantêm e reverberam ao longo dos tempos, gerando confusões que afetam tanto o meu trabalho quanto o processo de estudo dos candidatos sem que nenhuma posição tenha sido abertamente tomada.

 

Enquanto técnico qualificado e especializado na área, contesto veementemente a postura adotada pela banca, solicitando que haja uma postura mais séria quanto à análise dos recursos interpostos, respondendo as justificativas para a manutenção, referenciada na bibliografia em que se respaldaram para tanto. É preciso transparência no processo seletivo, resguardando sua segurança, confiabilidade e capacidade de contestação, respeitado sempre o contraditório e a ampla defesa. Ainda que haja erros, o momento do recurso é a oportunidade de a banca rever suas questões, considerando os apontamentos realizados.

 

Peço ainda ajuda de meus vários colegas professores das diferentes disciplinas para que possamos nos unir em prol da moralização e transparência dos processos seletivos para a ocupação de cargos na Administração Pública em suas diversas esferas, fazendo apelo especial aos meus amigos Reginaldo Veras e Israel Batista, professores e parlamentares que podem nos representar em suas respectivas casas legislativas, pois conhecedores de nossos inúmeros desafios.

 

Afirmo aqui meu compromisso com a lisura e justeza do processo seletivo, assumindo meu papel de professor, cidadão e servidor público desta instituição a qual respeito, valorizo e tenho orgulho de fazer parte, que fará o possível para sanar eventuais transtornos que obstem os direitos daqueles que participaram do concurso. Tomarei medidas para o saneamento das inconsistências, pensando não somente no correto andamento deste concurso, mas também dos próximos a se realizar.

 

Respeitosamente,

 

Renato Lacerda.

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