O que aprendi

Não sou infalível e isso é muito bom!

As horas difíceis nos tiram a percepção de tanta coisa boa que foi e há de vir. Nossa mente nos sabota a ponto de enxergar a bondade como natural, daí a subestimamos ao passo que superestimamos o que fere, dói e machuca. Tivéssemos forte a lembrança da felicidade, nas pequenas e grandes coisas, teríamos mais resignação para enfrentar as crises, pois sempre haveria a gratidão pelos sorrisos passados, bem como a esperança de reconquistá-los novamente.

Viver requer força e viver é muito mais que sobreviver. Assim como não podemos banalizar os prazeres cotidianos, tirando-lhes o real valor, não podemos aceitar o sofrimento como normal, a ponto de conviver com ele, aceitá-lo sem superação. Se a dor ensina, o sofrimento aprisiona, seja pela inércia, seja pelo senso de autopiedade, que aniquila o autoamor. As lágrimas que regam a face podem fazer germinar a semente do aprendizado, mas quem determina isso somos nós mesmos. Por isso é que nas horas difíceis estou tentando parar de perguntar “por que” e substituir pelo questionamento “para que”. “Por que” nos vitimiza, “para que” nos liberta para o sentido do propósito. Sei que é difícil, mas precisamos ao menos tentar.

Tive importantes lições sobre dor, amor, viver… tenho me permitido falhar e assim, descoberto que é muito bom ser humano, tendente a falibilidade! De alguma forma, exigia de mim mesmo um ideal de vida que passou a ser cobrado pelos outros, pois a manifestação exacerbada do ego trouxe o achatamento do self – a minha real identidade, composta de muita luz, mas também de sombras. Acredito que assim, por pior que sejam os fatos, tenho me tornado uma pessoa melhor e mais preparada a superar desafios, com foco no que realmente EU queira.

Acordar, permitir-se tentar, errar, recomeçar, levantar e continuar a viver fazem parte da vida. Perceba que toda grande história ou narrativa real, sem as idealizações engendradas pelos contos de fada e filmes hollywoodianos, compõe-se de agruras e êxitos, mas as tramas mais interessantes têm também superação. Superar-se pode ser, por exemplo, encarar os eventos mais simples do cotidiano, enxergando a beleza premente em cada gesto, ato, elemento estático e ser vivente que toca nossa existência.

Precisamos cruzar o caminho otimistas, compreendendo que ele será o mesmo para várias pessoas. Se o trajeto é o mesmo, o que muda é o observador, ou seja, a percepção do fenômeno vivido. Se precisamos nos mover de um ponto a outro, e isso nos faz vivos, façamos com otimismo, com a crença no melhor, com a lembrança daquilo que já foi bom, pois nada existe para durar, mas qualquer coisa pode contribuir para o nosso aprendizado. Caminhar tendo em vista uma grande conquista, aquela que acelera o coração e gela o estômago, é muito melhor que perambular sem rumo, sem saber aonde chegar.

Se você está passando por algo que machuca, atrapalha seus desejos e crença na felicidade e conquista, tente lembrar de todo o encantamento que você viveu até aqui, desde a sua infância. Lembre também de todas as vezes em que algo foi difícil, mas que você superou a ponto de esquecer do quanto doeu romper as resistências ao êxito. Tenho certeza de que alguma memória fantástica subsistirá e que brilhará a esperança adormecida entre as várias gavetas da estante de sua consciência. Use isso e acredite: você vai conseguir!

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