Questões comentadas

Questão 3 – Funções da Gestão de Pessoas

(CESPE/TJDFT/2015) No modelo estratégico de gestão de pessoas, as organizações são compreendidas como um processo de construção social que ocorre por meio da influência de grupos diversos, de forma que a negociação e a resolução de conflitos assumem posição central na atuação da área.

 

Desde 2015 são recorrentes as questões relacionadas às funções assumidas pela gestão de pessoas contemporânea. Em síntese, as funções podem ser agrupadas em três tipos distintos: instrumental, política e estratégica. Cabe ressaltar que a gestão de pessoas é tanto uma responsabilidade de linha quanto uma função de estafe, ou seja, enquanto o órgão de GP ou RH realiza o trabalho de escritório, formulando métodos e realizando estudos e análises, o gestor de pessoas (diretor, gerente e supervisor) em seu nível de alçada, faz o trabalho ostensivo ou “de campo”.

Para diferenciar o papel do gerente e do órgão de GP, costumo dizer em sala de aula que, em uma organização, quem manda é quem está por cima. Quem está “de ladinho”, não manda nada, mas aconselha, adverte, recomenda, assessora (não pensem besteira, mas se ajudar a fixar, pensem sim!) Esses dois papéis, de quem “está por cima” e de quem “está de ladinho” no organograma, para que fique bem claro, são respectivamente do gestor, que ocupa lugar na hierarquia, e do órgão de GP ou RH. Assim explicado, vejamos as tais funções, sabendo de antemão que são exercidas tanto por linha quanto por estafe.

1) FUNÇÃO INSTRUMENTAL: trata-se da formulação e aplicação das políticas básicas de gestão de pessoas, quais sejam, agregar, aplicar, desenvolver, manter, remunerar e monitorar pessoas. Para ser claro, quando a organização recruta, seleciona, avalia o desempenho, demite, administra pagamento, treina e capacita, aplica ações de higiene e segurança do trabalho, cria e mantém sistemas de informação gerencial, está realizando uma função cotidiana de GP, que pode ser administrativa ou operacional. É o “feijão com arroz” da gestão de pessoas.

2) FUNÇÃO POLÍTICA: não se gerencia pessoas sem articulações, barganhas, trocas e concessões e essa é a função política de GP. Quando seu chefe “joga o migué” sugerindo aumento, promoção, ocupação de função ou mesmo a coerção velada, está a exercer a tal função. Em contextos mais amplos, trata também da realização de coalizão, obtenção de sinergia e consenso, dentro e fora da organização. Conflitos de diversas ordens precisam ser conciliados e com o advento da gestão participativa e com o crescente número de influenciadores nas organizações, a função tem ganhado relevo. Para facilitar sua vida, pense em um político, que em campanha, para “ganhar” seu voto, faz uso da retórica, do convencimento e até da emulação, mentira e cooptação. Resta evidente, portanto, que a referida questão versa sobre a função política e não estratégica e por esse motivo encontra-se ERRADA!

FUNÇÃO ESTRATÉGICA: os vários objetivos e diretrizes das políticas de gestão de pessoas estão fortemente atrelados aos objetivos da organização, o que se obtém mediante o estudo sistemático do ambiente interno e interno, etapa necessária do planejamento estratégico em seu diagnóstico. As estratégias e insumos do planejamento organizacional, segundo essa lógica, tornam-se entradas para a moderna gestão de pessoas, que tem realizado suas ações segundo o conceito de competências, que perpassam e integram todas as políticas/subprocessos de gestão de pessoas pela união sinérgica de conhecimentos, habilidades e atitudes, postos em prática na organização, geradores de resultados que agregam valor econômico e social. Portanto, a função estratégica é mediadora entre o planejamento e as ações de GP, trazendo o alinhamento interno entre as práticas e o alinhamento externo entre o ambiente e os objetivos máximos da organização.


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